NOME: Rosa Mattos

IDADE: 48 anos

CIDADE: Porto Alegre/RS

EMAIL:contosdarosa@bol.com.br

GOSTO: ler, escrever, namorar, filmes de suspense, internet, natureza, caminhar no parque, fazer amigos, e muito mais

NÃO GOSTO:desrespeito aos direitos autorais; correntes e memes, e muito mais



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Os cachorrinhos dele

 

O tema da redação era “Cachorrinhos”. Todos pensaram por um instante e começaram a redigir. Ele continuava imóvel. Não tinha a menor idéia do que iria escrever. Não tinha cachorros. Nem gostava muito deles. As idéias não vinham. O tempo passando. As mãos tremiam. A caneta pronta para entrar em ação. Qualquer idéia servia. 

 

Tanto olhou para a folha que passou a visualizar cachorros andando nela. Eram dois vira-latas, filhotes. Corriam pelas linhas, desciam e saltavam, latindo sem parar. Desenhou uma vasilha e encheu de bolinhas. Quem sabe se vissem a ração parassem com aquela correria.

 

O relógio devia estar errado. Os minutos disparavam. Os cãezinhos subiam e desciam as linhas. Desenhou outra vasilha e riscou falsas ondas, parecendo estar cheia d’água. Eles beberam um pouco e continuaram a baderna.

 

Como iria se concentrar com tanta algazarra? Talvez eles precisassem beber direto da fonte. Desenhou ao lado das vasilhas uma cachorra, deitada, com suas tetas salientes, cheias de leite. Deu certo. Arrá! Era isso. Os cachorrinhos foram direto para ela e mamaram felizes.

 

Tic-tac, o relógio indicava que ele só tinha mais 15 minutos. Ao contrário de sua inspiração, o suor brotava, escorria de sua testa, pingando no chão da sala silenciosa, onde todos escreviam, menos ele. O professor, de vez em quando olhava o relógio e voltava para sua leitura. E ele naquele pavor. Ai, socorram-me Santos das Boas Redações! Não, não adiantava apelar.

 

Voltou-se para a folha em branco. Os minutos cruelmente voando. Os cachorrinhos ainda estavam lá. Agora pulavam em cima da barriga da mãe. Que bagunça! Saiam da minha folha! Que nada, faziam festa agora que estavam alimentados. Saltavam de um lado a outro, correndo e latindo mais alto do que antes.

 

Vendo toda aquela confusão e o tempo que encurtava, para seu desespero, teve enfim uma idéia. Ia escrever sobre filhotes brincalhões e bagunceiros. Qualquer coisa, mas tinha que ser depressa, porque aqueles pontos eram muito importantes, já que não estava nada bem naquela matéria.

 

Dois minutos. Pegou a borracha e preparou-se para apagar todos os desenhos, no exato instante em que os cachorrinhos começaram a mastigar, morder, e destruíram completamente a folha de papel.

 

Autora: Rosa Mattos 



- Postado por: Rosa Mattos às 09h04
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Último Olhar

 

 

Olhou o corpo inerte do amado

jogado no asfalto, contra o meio-fio.

 

Sentou-se e esperou em vão

um movimento, um sinal de vida,

mas ele continuava estirado no chão.

 

A sirene indicava que a ajuda enfim viera.

Tarde demais, ele se fora, para algum lugar

onde não sentirá mais fome, nem frio - já não era.

 

Retornou para um apartamento lutuoso,

onde até o piso chorava com seus passos.

O silêncio ecoando pungente pelos cômodos.

 

Com as mãos trêmulas e a alma sangrando,

Ligou a televisão num gesto instintivo e

segurou bem firme o controle remoto.

 

Precisava sentir o domínio sobre algo.

 

 

Autora: Rosa Mattos



- Postado por: Rosa Mattos às 09h24
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Perdição

 

Olhos obcecados, fixos, perdidos

No peito um monstro esfomeado

O sangue queimando nas veias

Emoção corrosiva e inesperada

 

No rosto um vivo calor acendia

Fazendo latejarem as têmporas

Abrindo caminho até ela, vendo

Densos véus caírem, um a um

 

Enredado em algum turbilhão

Persegue dementes impulsos

Febris, aprazíveis, dominantes

Ávidas mãos viajam delirantes

 

Qualquer idéia tonteia e dispara

Em fagulhas dores pelos ossos

Inebriante fome que não cessa

 

Será isso uma paixão?  

 

E se for ...

 

Tem salvação?

  

 

Autora: Rosa Mattos



- Postado por: Rosa Mattos às 18h18
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Entre Fios e Nós

 

Lentamente foi fiando dentro de si

um grosso manto de lã, para cobrir-se

nos momentos de solidão e desamparo.

 

Enquanto suas mãos hábeis teciam,

seu coração e sua mente se fechavam,

numa redoma superprotetora de fios e nós.

 

E foi quando findou seu intento,

que enredou-se nas tramas

de luz e escuridão.

 

Abotoou-se até o pescoço

de esperanças vãs.

 

Já não sabia mais

se era dia, ou noite.

 

Seu manto de nada serviria,

agora que perdera o senso.

  

 

Autora: Rosa Mattos



- Postado por: Rosa Mattos às 08h44
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Insatisfação

  

Anos a fio ela puxou daqui, puxou dali

Reclamando, criticando, censurando...

Não sossegou até conseguir moldá-lo

E encaixá-lo exatamente a seu gosto 

 

E quando ele ficou como ela queria

Decepcionou-se irremediavelmente

 

Ele não era mais aquele

por quem se apaixonara.

 

 

Autora: Rosa Mattos



- Postado por: Rosa Mattos às 20h04
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Recomeço

 

Houve um tempo em que senti amor

E ligada a você fiz a volta ao mundo

Sem sentir a pressão das correntes

 

Dançava feliz numa camisa de força

Recusando aceitar a pesada ameaça

Que balançava sobre nosso romance

 

Meu coração tinha pretensões eternas

E por isso o adeus foi ainda mais cruel

Por fora controle total, por dentro ruína

 

Quando se ama muito fica a sensação

De não ter feito o bastante, daí a culpa

O sentimento de derrota oprime e corrói

 

Os dias passam, a vida segue, acontece

Sou despertada para novos desejos ali

Embora os antigos ainda reinem por lá

 

E não renego, me apego e recomeço,

Entendendo, enfim, que há infinitos

Modos de se sentir o amor!

 

Autora: Rosa Mattos 



- Postado por: Rosa Mattos às 00h19
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Exposição

 

As idéias emergiam de sua mente

Tal qual um mergulhador ao voltar à tona

Mas a tela branca continuava incólume

 

Quando enfim arrojou-se na primeira pincelada

entrou num transe e não conseguia mais parar

 

Pintou febrilmente durante muitas horas e

extenuado afastou-se, admirando sua obra

 

Incompreensíveis formas

aos olhos de um leigo

 

Mas para ele sua alma estava ali

em cada traço, cada toque

 

Assustado por ter-se revelado tanto, destruiu a tela

Pegou outra e desenhou uma natureza morta.

 

Autora: Rosa Mattos 



- Postado por: Rosa Mattos às 12h10
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Doce Submissão

 

As cortinas brancas ondulavam nas janelas

Contrastando com o vermelho das paredes

E o cetim preto dos lençóis da grande cama

 

Ao longe o oceano e aquele calor diabólico

Aumentavam sua excitação, sua ansiedade

Que explodiriam tão logo seu amor chegasse

 

Uma suave melodia dominava o ambiente

Havia preparado tudo para surpreendê-lo

A roupa de couro, o chicote, as algemas...

 

Quando ele chegou, entregou-se a ela

Com tamanha paixão, como se quisesse

saciar uma sede de muitos e muitos anos

 

Não se assustou com o cenário, gostou...

E ao receber a primeira chicotada, gemeu

Deixou-se dominar, compartilhando a loucura

 

Amaram-se assim a noite toda, duelando

Num misto de ânsias e suspiros e gozos

Na vertigem dos sentidos, sentindo tudo!

 

E quando exausto ele quis descansar

Ela abraçou-se a ele e adormeceu

Para horas depois ordenar ...

 

Venha!... Submeta-se!

 

E ele foi!

 

 

Autora: Rosa Mattos 



- Postado por: Rosa Mattos às 23h06
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Curvas Perigosas

 

 

Nascera sob o signo da exuberância

Bela, ousada, sem papas na língua

Extravagante, impetuosa, kamikaze

 

Vive o cotidiano com tamanha fúria

Que não raro se corta e se perfura

Expurgando emoções pelos poros

 

Alma aberta como asas de um anjo

Sedenta e faminta de amor e tesão

Provoca, avança e depois se retrai

 

Valoriza mais a busca que o achado

Quando o risco se torna previsível

Abandona o oásis e segue adiante

 

Como uma deusa da abundância

Essa balzaquiana não teme nada

A não ser o flagelo do desamor

 

Nota: Poema feito para alguém,

ou para você!

 

 Autora: Rosa Mattos  



- Postado por: Rosa Mattos às 12h58
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Incansável Busca

 

 

Munido de uma pá ele escavou um túnel

Raspou depois com as unhas até cansar

Infiltrando-se por caminhos misteriosos

 

... E nada!

 

Pegou um gancho e puxou com esforço

Dilacerando paredes e encostas laterais

Abrindo uma clareira como um lenhador

 

... E Nada!

 

Foi até a gaveta e achou um saca-rolhas

Mirou o alvo, girou até o fundo e puxou

 

... E Nada!

 

Posicionou-se e arremessou um arpão

Surtiu efeito. Alguma coisa aconteceu

Humm! Alarme falso. De novo... Nada!

 

Exaurido, nem por isso menos obstinado

Armou-se com um alicate extra-grande

 

E conseguiu, finalmente

Extrair de sua mente

 

.... uma Boa Idéia!

 

 

Autora: Rosa Mattos



- Postado por: Rosa Mattos às 14h21
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Buraco Negro

 

Sentado no chão da sala, fitava o nada

O medo correndo entre seus labirintos

com sua cauda gigantesca e destrutiva

Contaminando sua corrente sanguínea

 

Fechou os olhos, esperando pelo fim

 Enquanto descia mais e mais no vazio

  Num poço de lama pegajosa e escura  

     Que aniquilava seus sonhos, sua vida    

 

Queria tecer um fio de luminosidade

Em meio ao subterrâneo de sombras

 Que sugavam sua energia, sua alma

   E passeavam inexorável dentro dele  

 

Rastejou-se até o telefone e suplicou

  Implorando socorro num grito de dor  

Enquanto a agulha o acompanhava

 Pois tinha costurado seu final trágico 

 

Vislumbrou mãos que o amparavam

Resgatando seu espírito enegrecido

Rompendo uma barreira nebulosa

Da fronteira do breu para a luz...  

 

E ganhou uma nova chance.

 

  

Autora: Rosa Mattos



- Postado por: Rosa Mattos às 19h40
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Foi Sem Querer!

 

 

Há uma subversão no meu querer

Que nem sempre deixo transparecer

Pelo receio absurdo de me perder

 

E se eu me perder, onde irei parar?

Por acaso você saberá me encontrar?

Não será no paraíso que irá me achar

 

Este desejo latente em transgredir

Provocar, avançar e fazer você rir

Assustaria você a ponto de partir?

 

Ahh, quantos segredos esconde

a alma de uma mulher comportada!

 

Eu quero dizer mais, bem mais,

Porém... melhor parar por aqui

Você pode ler e entender

Que não foi sem querer!

 

 

Autora: Rosa Mattos 



- Postado por: Rosa Mattos às 16h54
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Festim

 

Nosso caso é um folhetim

Tem dias de cetim e outros

de marfim, outrossim (?)

Quando ficamos a fim

Não existe tempo ruim

Mas tem que ser dito

Tudo tintim por tintim

Senão deflagra o estopim

Destruindo nosso jardim

 

Será um vício nos

querermos assim?

 

 

Autora: Rosa Mattos 



- Postado por: Rosa Mattos às 11h57
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Sou Assim, Cheia de Mim

 

Multifacetada me encontro

Na busca pelo que sou

Num interjogo

misterioso

 

E a todo instante me encanto

E me desencanto, por mim,

e pelos que me cercam

Numa dualidade

pulsional vil

 

Nenhum encantamento é eterno

Que não possa se desintegrar

Quando saciada a pretensão

 

E nesse processo amadureço

e feneço e me restabeleço,

sem mudar o que sou

 

Levanto,

Aliso minhas asas

Lambo minhas feridas

e me reergo sem anestesia.

Não jogo sentimentos fora

Tudo é importante

Dentro e fora

de mim

 

Lá onde tudo se esconde

Existe muito mais ainda

Para mim e

para você!

 

Mas lá onde? Ora, lá...

em meu coração!

 

 

Autora: Rosa Mattos 



- Postado por: Rosa Mattos às 17h14
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No Mar o Tempo Nada

 

Mergulhado no mais profundo vazio

recuava ante o toque das gentes,

o encostar das mãos e o cheiro